04/04/2017 - 05:51

Você sabe por que notícias falsas se propagam mais do que as verdadeiras nas redes sociais?


Esta foto foi compartilhada por muitos cristãos. Mas este fato é verdadeiro? Descubra no texto!

Esta foto foi compartilhada por muitos cristãos. Mas este fato é verdadeiro? Descubra no texto!

Antes do advento da Internet ouvíamos muito as pessoas se expressarem: “uma má notícia chega primeiro do que uma boa notícia”. E isso não é diferente nos dias de hoje, precisamente em tempos de cultura de redes sociais online. No entanto, a notícia, agora, ganha outras definições: precisamos saber o que é verdadeiro e o que é falso.

Na edição da revista Super Interessante, de março de 2017, a matéria de capa se referiu às 21 mentiras mais compartilhadas na Internet. O texto apresenta uma análise feita pelo site BuzzFeed, o qual monitorou o compartilhamento de notícias verdadeiras, vindas de fontes idôneas, e de reportagens falsas. As 20 mentiras foram as que tiveram mais compartilhamentos: 8 milhões. Já as 20 maiores notícias verdadeiras tiveram 7 milhões de compartilhamentos.

Se compararmos os números perceberemos que a diferença não é tão grande, mas no contexto brasileiro a vantagem da mentira é ainda maior. No ano passado, dez notícias falsas sobre a Operação Lava Jato foram compartilhadas quase 4 milhões de vezes. Já as verídicas, somando as dez maiores, tiveram 2 milhões de compartilhamentos. Perceba que a diferença atingiu 50 por cento!

O professor Pedro Burgos, pesquisador de uma universidade nos Estados Unidos, criou uma ferramenta que monitora o Facebook e aponta as postagens mais compartilhadas no Brasil. Na primeira semana de fevereiro deste ano, a notícia mais compartilhada foi uma intitulada “Depois que você ler isto, nunca mais vai jogar fora esta parte da banana”. Segundo a reportagem da Super Interessante, isso trata-se de um texto falsoque atribui poderes à casca de banana que esta não tem.

E esse compartilhamento desenfreado não escolhe cor, classe social, religião, qualquer pessoa pode ser vítima dessa prática na rede social, principalmente no Facebook. Existe um site chamado boatos.org que traz à tona todas essas notícias que são compartilhadas pelos usuários de redes sociais. E uma das notícias falsas mais compartilhadas na Internet refere-se ao fim do mundo. Entre as mais populares está o “chip da besta”. E muitos cristãos chegam a compartilhar, e o perigoso disso tudo é que muitas dessas informações destorcem completamente o que diz a Bíblia Sagrada. A mais recente foi de que o presidente Michel Temer teria aprovado a implantação de chips nas pessoas a partir deste ano para que isso sirva de “documentação única”. Compartilhar notícia falsa na Internet e até mesmo fora dela é uma prática antiética para qualquer pessoa, imagina para um cristão!

Outras histórias muito compartilhadas são aquelas relacionadas à tortura e morte de cristãos em países da África e Ásia. Até e-mail já foi compartilhado com uma foto afirmando que cristãos foram queimados vivos por mulçumanos sunitas da Nigéria. Essa história terrível começou mesmo a circular em setembro de 2011. Mas ela é verdadeira? Não. Uma simples e rápida pesquisa na própria Internet revelou que a foto em questão não tem nada a ver com cristãos queimados por mulçumanos na Nigéria. A imagem mostra, na verdade, o resultado de um acidente que ocorreu em 2010. Notícias desse tipo, mostrando situações terríveis em outros países, são fáceis demais de serem compartilhadas. Por isso que muitas igrejas, através de seus respectivos departamentos de missões e agências missionárias fazem questão de divulgar seus relatórios escritos pelos próprios missionários. A nossa própria ADPB em Revista e o site da SEMAD-PB sempre publicam as notícias do campo missionário, as quais são escritas por missionários que estão inseridos em seus respectivos países de atuação, os quais, no nosso, caso são: Bolívia, Colômbia, Paraguai, Peru, Espanha, Senegal, Papua Nova Guiné e outros projetos em parceria, como na Índia.

 

Mas por que isso acontece?

Segundo o psicólogo Daniel Gilbert, citado pela Super Interessante, quando seus olhos leem uma mentira, o seu cérebro a considera verdadeira por uma fração de segundo. Até porque, no processo comunicativo dos seres humanos, temos a prerrogativa de que tudo que o outro venha falar seja verdadeiro. A mente é mais propensa a acreditar nas informações do que a rejeitá-las, simplesmente porque desconfiar requer mais esforço mental, ou seja, gasta mais energia. Aqui nós temos um fator psicológico.

Em relação ao fator cultural, é fato de que as redes sociais também estão na Internet. É fundamental perceber que rede social sempre existiu na relação entre seres humanos. Rede social é sua família, seus amigos, a própria igreja, o próprio Jesus e seus discípulos formaram uma rede social. O que a Internet proporcionou, através das mídias sociais (Facebook, WhatsApp, Instagram), foi a conexão entre os usuários de Internet. Hoje estamos mais conectados do que em outros tempos da humanidade. Vivemos uma sociedade em rede, que significa viver hiperconectado. É fácil entender isso. Quantos amigos você tem? E quantos amigos você tem no Facebook, por exemplo? Perceba que, em números a diferença é enorme. E nas redes sociais seu comportamento também é mais visível. A prova disso é o seguinte: escreva um texto no Facebook e perceba o número de visualizações do mesmo!

 

Você já ouviu falar em pós-verdade?

Já não bastavam conceitos de pós-modernidade e pós-humano, uma nova palavra ganhou força desde o ano passado: a chamada pós-verdade. Segundo especialistas, essa palavra é usada por aqueles que dizem que a verdade está perdendo importância, ou seja, de acordo com a pós-verdade, o que falam é mais importante do que o fato em si. Por exemplo: A mentira mais compartilhada da Internet em todos os tempos foi de que o ex-presidente americano, Barack Obama, é mulçumano. Esse boato começou durante a campanha de Donald Trump à Casa Branca e o motivo foi por conta de seu nome completo: Barack Husseim Obama. A história real é que o pai do ex-presidente nasceu no Quênia em 1936 e recebeu o nome de Barack, que em árabe significa “abençoado”. O pai do Obama era ateu, mas ele declara-se cristão protestante. Então conclui-se que, esse boato de que Obama é mulçumano é um exemplo de pós-verdade.

Redes sociais como Facebook, Twitter e WhatsApp favorecem a proliferação de boatos e mentiras. E para completar, essas mentiras são compartilhadas até por pessoas nas quais você confia, o que aumenta a aparência de legitimidade das histórias. Em outras palavras, a pós-verdade é uma mentira com aparência de verdade. Mas não caia nessa! Nossa dica: nunca compartilhe conteúdo na Internet sem antes pesquisar se o assunto é verdadeiro ou falso! Cuidado com o que você compartilha!

 

Por Ramon Nascimento

 





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